Enquanto a torcida comemora, muitos animais vivem momentos de medo e sofrimento

O que para algumas pessoas é festa, para muitos animais pode ser uma experiência de pânico

Foto Divulgação

A cada gol, buzina ou explosão de fogos de artifício, ruas e casas costumam se encher de comemorações. Durante grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, a celebração faz parte da cultura de milhões de pessoas. Mas existe um outro lado dessa história que nem sempre recebe atenção: o dos animais que enfrentam esses momentos com medo, ansiedade e sofrimento.

Enquanto os humanos vibram, muitos cães procuram um lugar para se esconder. Tremem, choram, latem sem parar ou tentam fugir. O motivo está na forma como eles percebem o mundo. Com uma audição muito mais sensível que a nossa, o barulho dos fogos não é apenas um incômodo — pode ser interpretado como uma ameaça real.

Segundo a médica-veterinária comportamentalista Dra. Stela Salcedo Amaral, do Nouvet Centro Veterinário, o medo provocado pelos fogos é uma resposta emocional legítima e pode desencadear reações intensas nos animais.

“Quando o cão não consegue compreender a origem daquele som, entra em estado de alerta. É uma reação ligada ao instinto de sobrevivência”, explica.

Por isso, a preparação do ambiente faz diferença. Criar um espaço seguro dentro de casa, com objetos familiares, longe de portas e janelas, ajuda a reduzir a sensação de ameaça. Manter a rotina de alimentação e passeios também contribui para que o animal se sinta mais seguro.

Brinquedos interativos, músicas suaves e atividades que promovam distração podem ajudar durante os momentos mais críticos. Outra recomendação é que os tutores mantenham a calma. Os cães observam e interpretam o comportamento das pessoas ao redor. Quando percebem tranquilidade, tendem a reagir de forma menos intensa.

Fechar portas e janelas, deixar um som ambiente ligado e oferecer um local confortável para descanso também pode amenizar o impacto dos ruídos externos. Em alguns casos, o uso de produtos calmantes pode ser indicado, sempre com orientação veterinária.

Os efeitos do estresse, porém, não se limitam ao momento da explosão. Alterações cardíacas, aumento da pressão arterial, crises respiratórias e problemas gastrointestinais podem surgir como consequência do medo excessivo. Há ainda casos de animais que se machucam durante tentativas de fuga ou desenvolvem fobias permanentes relacionadas a sons altos.

Para a especialista, a repetição dessas situações pode comprometer a saúde física e emocional dos animais ao longo do tempo.

Durante a Copa do Mundo e outras celebrações, pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença. Afinal, enquanto muitos comemoram um resultado dentro de campo, milhares de cães enfrentam uma batalha silenciosa contra o medo.

Cuidar deles nesses momentos não é apenas um gesto de carinho. É uma forma de respeito com quem depende de nós para se sentir protegido.