Portadora de glaucoma congênito raro, Regiane encara a deficiência como parte fundamental de sua trajetória de crescimento

Com passagens por competições como os Jogos Parapan-Americanos e as Paralimpíadas de Pequim e Londres, Regiane Nunes encerrou sua carreira nas piscinas e deu início a um novo ciclo. Fora do esporte de alto rendimento, ela agora se dedica à nutrição, área em que atua profissionalmente.
Ex-atleta paralímpica e com um currículo repleto de títulos e participações internacionais, a conexão de Regiane com a natação não veio desde cedo. Natural de Ribeirão Pires, ela teve o primeiro contato com o esporte por meio de um projeto social, aos 15 anos.
“Conheci a natação e descobri que não precisava de ninguém além de mim para nadar. Me apaixonei”, lembra Regiane.
Portadora de glaucoma congênito raro, condição que afeta sua visão desde o nascimento, a atleta encara a deficiência visual não como uma limitação, mas como parte fundamental de sua trajetória de crescimento.
“Ser deficiente visual não mudou a minha vida, pelo contrário, me transformou. Precisei reaprender desde tarefas mais simples até as mais complexas.”
Dentro da água, a nadadora se sente livre, um sentimento que a motivou a escolher o esporte como profissão, decisão tomada sete anos após aprender a nadar.
“Percebi que dedicava boa parte do meu tempo à natação e que isso me fazia bem. Foi então que segui esse caminho”, conta a atleta.
Competições de alto nível
Atleta da classe S11, destinada a competidores com cegueira, Regiane disputa provas de 50m livre, 100m livre e 100m costas. A classificação para os Jogos Parapan-Americanos de Lima, em 2019, veio após atingir o índice exigido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
“Cada competição tem sua história, mas os Jogos Parapan-Americanos de Lima, em 2019, foi especial, intenso, desafiador e inesquecível”, resume.

Para competir em alto nível, a nadadora conta com o apoio do tapper, profissional responsável por sinalizar com toques os momentos de virada e chegada, garantindo segurança e precisão nas provas.
Mas Regiane vai além das piscinas. É também educadora física e nutricionista, reforçando que sua dedicação ao esporte ultrapassa as raias. Antes da natação, teve uma trajetória marcante no remo paralímpico, modalidade pela qual representou o Brasil nas Paralimpíadas de Pequim 2008 e Londres 2012. E se despediu dos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, como nadadora com três medalhas e um sorriso radiante.
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